HC recebe 70 unidades

Face shields” produzidos pela Rede serão usados no “covidário”, área exclusiva para pacientes com suspeita de Covid-19

Um mês atrás, quando começou a desenhar uma máscara para proteger profissionais do Hospital das Clínicas da USP do coronavírus, a pesquisadora e terapeuta ocupacional Cândida Luzo não imaginava que seu modelo seria replicado por uma rede de “espaços maker” de diversas escolas da capital paulista.

“Foi tudo muito rápido, fiquei impressionada”, diz ela, sobre a mobilização de voluntários que levou à criação desta Rede de Proteção Solidária. O modelo de “face shield”, desenvolvido em conjunto com o tecnólogo César Martins, seu colega de Rehab Lab (Laboratório de Pesquisa e Tecnologia Assistiva), atende – e supera – as especificações da Anvisa, oferecendo toda a proteção necessária.

A ideia surgiu quando os atendimentos de pacientes no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC (IOT – https://www.iothcfmusp.com.br/) foram suspensos devido à pandemia. “Na [área de] terapia ocupacional ficamos sem saber o que fazer, então começamos dois projetos. Um deles era de máscaras reutilizáveis feitas com um TNT bem grosso para os funcionários da Ortopedia usarem no transporte público. Paralelamente, comecei a trabalhar em protótipos de “face shields””, conta a pesquisadora, que iniciou sua carreira no HC nos anos 1980. “Fiz o primeiro com uma tesoura, depois pedi para o Eduardo Lopes cortar a laser no Garagem FabLab para ganharmos qualidade.”

As enfermeiras do IOT foram convidadas a avaliar se o modelo atendia as necessidades de proteção no momento da entubação do paciente, que é o mais crítico para o contágio. “Elas ajudaram a pensar por onde as gotículas podiam entrar e começaram a testar os “face shields” na UTI da Ortopedia, que não tem pacientes com Covid-19. Quando disseram que estava ótimo, falamos com o Edu.”

Na segunda-feira (20.abr), as primeiras 70 unidades devem chegar aos profissionais da UTI do “covidário” – como está sendo chamado o setor do HC reservado para atendimento exclusivo de pacientes com suspeita de coronavírus.

A demanda, no entanto, é muito maior. Só no Hospital das Clínicas da USP há 200 leitos de UTI de Covid, mais 700 leitos para casos menos graves da doença, afirma Cândida. E, em cada um deles, ficam ao menos três profissionais, em três turnos diários. “O uso é muito intenso. Tem que ser algo reutilizável e de uso pessoal, que cada profissional possa lavar e cuidar”, afirma.

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